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Sua empresa é parte do problema ou da solução?


De um modo geral, no Brasil, a coleta seletiva ainda está longe de ser uma prática comum para a maioria das pessoas. E quando falamos sobre a destinação de resíduos potencialmente recicláveis gerados por empresas, a realidade não é muito diferente. Isso acontece tanto por falta de acesso das empresas a soluções de gestão integrada de resíduos e coleta seletiva, como também por desconhecimento das empresas em relação ao impacto gerado pelo descarte incorreto de resíduos gerados.

Segundo dados recentes do SINIS, no Brasil, apenas 73% dos municípios possuem iniciativas de coleta seletiva pública, que, em geral, é realizada pela empresa de limpeza pública de coleta e destinada a uma cooperativa de catadores. Mas mesmo nesses casos, não são todos os bairros que conseguem ter acesso a esse serviço público.

Quando falamos da cidade do Rio de Janeiro, o último levantamento feito pela gestão municipal identificou que geramos um pouco mais de 9.000 toneladas de resíduos todos os dias. Ou seja, bem mais de 3 milhões por ano. Desse total, apenas 1,9% é destinado à reciclagem. Isso representa um pouco mais de 5 mil toneladas por mês.

Mas se olharmos para outros dados, vemos uma espécie de inconsistência nas informações disponíveis. Digo isso porque, segundo levantamento feito pela ABRELPE (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais), a partir da análise gravimétrica dos resíduos, ou seja, análise dos compostos presentes naquele material, das 1.000 toneladas descartadas pelo comércio carioca, 50% são potencialmente recicláveis. Estou falando de 500 toneladas por dia de tudo o que é descartado por restaurantes, lojas, bares e shoppings.

Segundo a Lei municipal nº 3273, de 6 de setembro de 2001, todos os estabelecimentos comerciais que geram mais de 60 kg ou 120 L de resíduo sólido por dia são obrigados a contratar uma empresa terceirizada para realizar a coleta desses materiais. Apesar disso, uma prática muito comum por parte da maioria dos estabelecimentos é apenas enviar seus sólidos para o aterro sanitário, com praticamente nenhum reaproveitamento dos potenciais recicláveis. E quando há algum reaproveitamento, costuma ser a destinação de alguns resíduos de maior valor agregado - como plásticos e papelões - diretamente a catadores informais.

Essa destinação incorreta por parte dos estabelecimentos, mesmo que feita com boas intenções, acaba perpetuando uma série de desigualdades sociais dentro da cadeia de gestão de resíduos. Porque além desse profissional estar exposto aos riscos do trabalho informal, com a saúde e integridade física postas em risco, também estamos prejudicando o sistema ambiental e público de saúde, pelo manuseio incorreto desses materiais.

É importantíssimo ressaltar que as Cooperativas de Trabalhadores são um grupo organizado e centralizado, responsável pelo recebimento dos materiais potencialmente recicláveis, triagem em diferentes tipos de composição e encaminhamento para a indústria recicladora, que irá realizar a transformação desses materiais. Os catadores que compõem essa cooperativa são os profissionais responsáveis por toda a gestão realizada pela mesma. Apesar disso, ainda é um espaço que carece de atenção e investimentos por parte tanto do poder público quanto da iniciativa privada, mas que conquistou um grande avanço após a publicação da PNRS (Política Nacional de Resíduos Sólidos) em 2010. Apoiar esses espaços significa apoiar a profissionalização, regulamentação, remuneração, segurança e saúde não só dos profissionais que ali trabalham, mas da sociedade como um todo.

Destinação dos Resíduos

Conforme podemos ver abaixo, mais de 90% do resíduo coletado é encaminhado para o aterro de Seropédica, onde será feito também o tratamento do chorume e transformação em água, para consumo no próprio local. Ainda, pouco mais de 6% é encaminhado para Gericinó, hoje um aterro desativado para resíduos urbanos, mas que recebe os resíduos hospitalares municipais e de grandes construções civis para tratamento. O restante dos 0,5% são encaminhados para a coleta seletiva.


Fonte: Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos - PMGIRS da Cidade do Rio de Janeiro 2017-2020


Quando refletimos sobre esses números - total de resíduos gerados, total de resíduos potencialmente recicláveis, total de resíduos que são, de fato, encaminhados para a coleta seletiva - percebemos que a conta não está batendo. No Brasil, o município do Rio de Janeiro é visto como um exemplo no tratamento dos seus resíduos gerados, mas ainda estamos extremamente distantes do ideal. À vista do impacto ambiental provocado, o ideal é o mínimo que devemos fazer, e isso significa encaminhar para a coleta em Cooperativa todo o material potencialmente reciclável.

E você, é parte do problema ou da solução?

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